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REINO UNIDO QUER ESTREITAR LAÇOS COM O BRASIL NO SETOR ENERGÉTICO APÓS BREXIT

O governo britânico está se movimentando para readequar sua realidade ao novo cenário que se desenha, com a saída do Reino Unido da União Europeia, e o Brasil entrou no foco como um dos países que deverá receber mais atenção nas relações comerciais. O ministro do Comércio e Investimento britânico, Greg Hands (foto), falou sobre esta intenção a executivos do setor energético nesta terça-feira (21), durante o evento UK Energy in Brazil, promovido pelo consulado britânico no Rio de Janeiro, e ressaltou que há muito interesse em fomentar novas parcerias neste sentido.

“Desafios são oportunidades. Queremos manter boas relações com a União Europeia – cerca de 40% das nossas exportações são oriundas do bloco –, mas tentaremos nos aproximar mais de países como o Brasil”, afirmou o ministro, salientando que o Reino Unido tem grande expertise, depois de somar 42 bilhões de barris de petróleo produzidos nas últimas décadas, e muitas tecnologias que podem ser aproveitadas por aqui.

As relações comerciais entre os dois países têm se intensificado nos últimos três anos no segmento energético, quando as empresas britânicas geraram R$ 7,5 bilhões em negócios nesse setor no Brasil, segundo dados do governo britânico, que contabiliza ainda 200 fabricantes de equipamentos ou prestadoras de serviços nos setores de óleo e gás e indústrias marítimas instaladas ou representadas por parceiros no País.

“Sinceramente, 90% do crescimento mundial vira de fora da Europa e precisamos estar atentos ao mundo”, destacou Hands.

O ministro citou previsões feitas recentemente, indicando que a demanda por energia deve crescer 34% até 2035, com uma expectativa de investimentos globais somados em US$ 1 trilhão ao ano em projetos de infraestrutura, e enfatizou a importância do Brasil e das empresas britânicas nesse montante.

“A aposta do Reino Unido no Brasil foi confirmada no ano passado, com a aquisição da  BG pela Shell, que deve gerar investimentos da ordem de US$ 10 bilhões ao longo dos próximos anos no país. A BP também atua de forma relevante no setor de exploração no Brasil, além de haver outras operadoras britânicas, como a Premier Oil e a Chariot Oil, que também estão investindo aqui”, disse.

O secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, que também discursou no evento, recebeu bem a fala do ministro britânico, e aproveitou para brincar, dizendo que entre o ministro Fernando Coelho, o secretário de petróleo e gás, Márcio Félix, e o próprio Pedrosa, ele se diz o mais inglês dos três, porque “dirige um Mini Cooper e pilota uma Triumph”.

Fora a troca de gentilezas, o secretário executivo brasileiro aproveitou o momento para fazer duras críticas ao governo anterior, dizendo que as mudanças deixaram de lado “a doença do intervencionismo e o protagonismo de governo”.

“As opções do passado, concentradas em empresas estatais, uso de recursos públicos e intervencionismo governamental, ficaram para trás. Estamos em um novo momento”, disse, enumerando alguns indicativos dessa nova postura, como a privatização da Celg-D, o leilão de linhas de transmissão e a valorização das ações da Petrobrás.

Em relação ao setor de óleo e gás especificamente, Pedrosa falou que a área será utilizada como base para acelerar a economia nacional.

“O segmento de óleo e gás pode suportar boa parte da economia brasileira, porque não depende de outras áreas, como o setor elétrico. Ele olha para o mundo. É um setor estratégico para ser usado como alavanca do desenvolvimento”, afirmou, ressaltando que os ministérios estão integrados e o objetivo é criar um ambiente atrativo e amigável aos investimentos.

“Temos quase um senso de missão”, complementou o secretário, pouco tempo antes de dizer que “este é um governo pró-business”, em conversa com jornalistas após a cerimônia de abertura.

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