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MINISTRO COELHO FILHO COPIA DISCURSO DO IBP E DE PEDRO PARENTE CONTRA O CONTEÚDO LOCAL

O presidente da Petrobrás, Pedro Parente, já vem adotando uma postura mais próxima de ministro de Minas e Energia do que de presidente de estatal nos últimos tempos e o real ocupante do ministério em Brasília parece estar confortável com a situação. Fernando Coelho Filho, que responde pela pasta do governo Michel Temer, não tem culpa pela falta de experiência no setor, apenas foi colocado no posto e tem trabalhado para entender o segmento. No entanto, pelas referências mais próximas e as escolhas dos principais “conselheiros”, acabou incorrendo no erro de copiar os discursos de apenas uma parte da indústria, repetindo exatamente os mesmos argumentos de Parente e do IBP, que representa as petroleiras no Brasil.

Essa postura de Coelho Filho ficou clara na entrevista dada ao jornal Folha de S. Paulo esta semana, quando adotou as mesmas falas contra o conteúdo local. O ministro diz que sabia que “a nova política de conteúdo local geraria alguma insatisfação”, mas não dá a real dimensão do impacto das mudanças, que ignoraram praticamente toda a cadeia de fornecedores de bens e serviços, que pleiteavam uma mudança feita de maneira mais equilibrada, garantindo que houvesse isonomia e respeito para as empresas nacionais.

Ainda assim, o ministro alega que a “nova política de conteúdo local tem benefícios para a indústria de óleo e gás”, sem explicar que os únicos beneficiados com o modelo adotado foram as petroleiras e o Tesouro Nacional, que poderá arrecadar bônus mais altos nos leilões, mesmo que para isso tenha deixado de lado o compromisso como desenvolvimento industrial brasileiro.

E Coelho Filho ainda cita nominalmente Parente para explicar sua visão sobre o embate envolvendo a contratação do FPSO de Libra, que o presidente da Petrobrás quer fazer totalmente no exterior, sem discutir abertamente com a indústria brasileira quais são os efetivos gargalos encontrados por aqui e como chegar a um meio termo.

“O presidente Pedro Parente diz que sem uma solução, paralisa o projeto, pois deixa de ser interessante”, diz o ministro,  citando a ameaça do presidente da Petrobrás em relação a Libra, num comentário mais próximo de uma anuência ao comando do que de uma análise de representante do Estado. Como argumento mais claro, diz que a obra no exterior custaria US$ 800 milhões, enquanto que aqui sairia por mais de US$ 1,1 bilhão.

O número, pelo que se entende da fala de Coelho Filho, é a base para os tão alardeados “40% mais” a serem pagos pela execução do projeto no Brasil, como Parente falou diversas vezes. No entanto, nenhum estaleiro brasileiro foi consultado para apresentar orçamentos e a Petrobrás até hoje não abriu esses números, sem dar chance à indústria para que apresente seus valores reais.

O ministro chega a dizer que quer que a indústria forneça equipamentos para outros países, mas não explica como incentivar isso, já que o Repetro, de importação de equipamentos, isenta de taxas as compras no exterior e os novos índices de conteúdo local poderão ser atendidos quase que integralmente apenas com serviços e mão de obra, conforme reclamaram diversas federações das indústrias estaduais e associações empresariais.

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